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Super Coach do Cocó

O karma de (con)viver com Doenças Inflamatórias do Intestino.

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O karma de (con)viver com Doenças Inflamatórias do Intestino.

09.Ago.21

Vamos falar de flatulência?

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Neste post vamos falar de… flatulência. Vulgarmente conhecido por: gases, peido, flato, traque, pum, bufa, farpa, bombarba, ares do cu, vento das pregas. Chamem-lhe o que quiserem. Para os efeitos deste episódio e para não ferir a suscetibilidade daqueles com ouvidos mais sensíveis, chamemos-lhe: Hélio. 

Aviso desde já que se és uma pessoa que bebe água de rosas e come purpurinas, este episódio poderá não ser para ti. Contudo, podes sempre ficar e descobrir umas coisas sobre os comuns dos mortais, sabes, aqueles que não são super heróis nem bebem perfume. 

Comecemos por pôr os puns no sitio certo: toda a gente, quer seja masculino ou feminino, com doença nos intestinos ou sem doença nenhuma, solta Hélio. Não uma, não duas, mas estima-se que no mínimo 14 vezes por dia. Yeap… 14 vezes por dia. Quer tenham consciência disso ou não, que isto às vezes é como um pneu de uma bicicleta e discretamente vai perdendo ar. Obviamente que alguém com uma doença inflamatória do intestino, facilmente ultrapassa a barreira de 14 Hélios por dia. Sobretudo quando come algo, que, pela sua natureza e processamento no intestino, causa mais Hélios, porque junta mais do que um factor no que concerne criação de Hélio. 

Mas vamos lá analisar bem esta questão dos Hélios? Afinal de contas… de onde vêm? Porque é que há alturas que temos mais Hélios do que outras? 

O excesso, e repito, o excesso de produção de Hélio no organismo pode estar relacionado com diversos processos e na maioria das vezes está relacionado com os hábitos de vida da pessoa, por exemplo:

Lembras-te da mãezinha dizer que é para se mastigar de boca fechada e não se fala com a boca cheia? SÓ para dizer que a tua mãezinha tinha toda a razão do mundo. É que mastigar de boca aberta ou muito rápido, ou falar enquanto se mastiga, faz com que inconscientemente engulas ar. Ora, o que entra também sai, logo ar dentro  tubo digestivo significa… Hélio!

Além disso é nojento para quem está à tua frente que a última coisa que quer ver é o teu bolo alimentar a ir da bochecha da esquerda para a bochecha da direita.

Depois existem alguns alimentos que naturalmente provocam Hélio, tipo feijão, bróculos, doces, leite, batata, ovo, lentinhas e repolho. Quem nunca ficou de arma carregada depois de umas tripas à moda do Porto que atire o primeiro pum. 

Existem contudo mais factores que facilitam a que haja muito Hélio. Coisas como intolerâncias alimentares, consumo de suplementos proteicos, ter uma vida sedentária e claro, problemas intestinais como Crohn, colite ulcerosa, diarreia, prisão de ventre, entre outros. 

É claro que quanto mais hélio houver dentro da tripa, isto vai traduzir-se naquelas coisas fofinhas que todos conhecemos como cólicas, dores abdominais e a famosa distensão abdominal, que uma pessoa até parece que está prestes a parir. 

Hélio em excesso normalmente não é sinal de problemas graves, e, por isso, não é necessário tratamento específico. Agora, é óbvio que é simpático para ti e para todos os que te rodeiam, para evitar a formação de grande quantidade de hélio e por isso, é importante que seja identificada a causa, pois dessa forma é possível evitar que o hélio volte a acumular. A verdade é, e lamento chocar-te com esta informação, todos nós respiramos cerca de um litro de hélios de outras pessoas por dia. Yeap… pensa nisso… 

Ora, o Hélio tem duas particularidades, que por vezes geram algum embaraço, sobretudo quando em público: cheiro e barulho.  Partilho desde já a minha opinião que aquelas pessoas que soltam Hélios num elevador e olham para outros com ar de reprovação, não são de confiar. Mas obviamente, que não censuro, sobretudo desde o momento que essa pessoa começou a ser eu. Obrigada Colite Ulcerosa.

O cheiro por norma está associado a alguns alimentos, como ovos, carne ou bróculos isto porque contêm enxofre e enxofre é um dos componentes do Hélio, e aquele que faz com que tenha um cheiro incomodativo. Mas nada de pânico! Apenas 1% dos teus hélios têm enxofre. Os restantes 99% são compostos por outro tipo de gases como o nitrogénio e dióxido de carbono, que não têm cheiro. 

E o barulho? Todos sabemos que por vezes parece a orquestra sinfónica de Viena no concerto de Ano Novo. Mas na verdade, o barulho tem mesmo a ver com uma coisa chamada… Física. Sim, Hélios tem muito de química (para a sua formação e cheiro) e muito de física para o barulho que por vezes fazem. Para começar, a velocidade média que o hélio sai pelo ânus é nada menos nada mais que 11kms por hora. O som, explicado de forma muito simples, vem da vibração do gás a sair pelo esfíncter e pelo ânus. O ouvido humano só está equipado para ouvir esta vibrações (ou ondas de som) em certas frequências, e é por isso, que por vezes consegues ouvir o Hélio a sair, outras vezes não. 

Portanto, resumindo: Toda a gente e todos os animais soltam hélios. Caso o Hélio excessivo seja consequência da alimentação, é identificar qual o alimento que causa o aumento da produção dos hélio e evitar ou reduzir o seu consumo. Por isso, esquece tripas e feijoada à transmontana na mesma semana, ok? O mundo que te rodeia agradece. Além disso ou mastigas ou falas. A tua mãezinha deu-te tanta vez na cabeça e com razão. Ah! E além de mastigar com a boca fechada, é mastigar bem a comida também. Dois pontos para todas as mães deste mundo que hoje ao jantar estão a dizer aos putos: mastiga a comida e mastiga de boca fechada! Outra coisa interessante para evitar hélio, é evitar mascar chicletes (sorbitol ajuda à formação de hélio) e consumir bebidas com gás.

Claro que existem algumas mezinhas caseiras, tipo chá de menta ou de funcho, que podem ajudar a reduzir o hélio. Em casos mais graves, há também alguns medicamentos que o teu médico pode aconselhar. Lembra-te que auto-medicação é muito fixe coiso e tal, mas é igualmente muito perigoso. Tipo aquela dica que todos dão do carvão vegetal? Que é usado por exemplo em casos de intoxicação medicamentosa porque… absorve tudinho que apanha pela frente. Ou seja, entre outras coisas que podem acontecer, se estiveres a fazer medicação oral, bye bye efeito. E sim, também se aplica à pílula, por isso senhoras, depois não venham dizer “não sei como é que isto aconteceu”. Por isso, em caso excessivo de hélio, se já reviste a tua alimentação, esperaste uns dias e ainda assim a coisa anda turbulenta, aconselha-te com o teu médico. 

Por último, não poderia deixar mencionar a reacção instintiva que aquela coisa da vergonha e do embraço te faz ter: Se um Hélio vem a caminho apertes o nalguedo com toda a força que nem sabes que tens. Será que isso faz com que o Hélio se vá embora? Nope. Nem por isso. Funciona em sentido único e só há uma saída. Embora possa parecer que desapareceu na verdade, das duas uma: ou  faz uma fuga mais silenciosa ou volta mais tarde para bater à porta de saída. 

E sim, há Hélios que  são inflamáveis. Há mesmo quem acenda um isqueiro e bum! Faz-se fogo dependendo da composição do Hélio. Pela cor da chama até consegues saber o gás predominantes no Hélio: ou metano se for azul ou hidrogénio se for amarela. Contudo… não tentes fazer isto. A última coisa que queres é ir parar às urgências do Hospital com as nádegas queimadas e passares a estar incluído na história de um médico que começa por…. Foda-se! Houve uma vez…

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