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Super Coach do Cocó

O karma de (con)viver com Doenças Inflamatórias do Intestino.

Super Coach do Cocó

O karma de (con)viver com Doenças Inflamatórias do Intestino.

22.Mar.21

O milagre do tremoço? || The miracle of the lupine?

Estavam dois cocós a saltar à corda e chegou uma

 

Já lá vão uns meses, mas eu sou como aquelas senhoras chatas que guardam tudo, desde que várias pessoas me enviaram uma reportagem sobre umas bolachas de tremoço, anti-inflamatórias e que pode prevenir e curar doenças inflamatórias do intestino e cancro colón rectal. Uma pessoa até pergunta imediatamente onde pode comprar as bolachas e começa a ponderar enfardar quilos de tremoços, não é?

Pois. Só que não. E já lá vamos. Se já leram os posts que escrevi sobre ensaios e estudos clínicos irão melhor entender o que irei escrever a seguir. Se ainda não leram, aconselho a que leiam este e este post.

Ora pois bem, então um grupo de investigadores portugueses, no âmbito da sua investigação, descobriu que uma substância presente nos tremoços – deflamina – poderia ter potencial no tratamento de doenças de foro digestivo, incluindo cancro digestivos. Até ao momento, as suas experiências clinicas cingiram-se a… ratos e peixe zebra.

Até ao momento, foram desenvolvidos ensaios em ratos e peixes-zebra, com resultados excelentes.

Ora vai daí, decidiram abrir uma fábrica, a Moléculas Soberbas, que produz bolachas de tremoço,  e foram para a imprensa promover o produto como sendo anti-inflamatórias e promessa de cura para doenças crónicas e até cancro.

Qual é o problema? Os resultados da sua investigação, apesar de promissores, foram feitos apenas em animais. Ora… lá por ter tido sucesso em animais, não quer dizer que tenha o mesmo efeito em seres humanos, e por isso, mais estudos seriam necessários, em humanos, para se perceber se ocorreria o mesmo causa-efeito. Sem esses estudos, é puramente fraudulento alegar que a substância (a tal deflamina presente no tremoço) é prevenção e cura seja lá para o que for. Mais: não está indicado nem provado em lado nenhum (porque lá está, não houve mais estudos sobre o assunto) que consumir essa substância em forma de bolacha, bolo, comprimido, cápsula (creio que percebem a ideia) é anti-inflamatório. Nem em que doses a mesma substância deverá ser consumida para ter esse tal efeito anti-inflamatório.

Encarem este exemplo, como um caso prático dos posts sobre estudos e ensaios clínicos que escrevi aqui no blog. É precisamente para conseguirem ler este tipo de notícias e perceberem que nem tudo o que reluz é ouro. Por vezes é mesmo só marketing da pior espécie…

 

E partilho convosco: se fosse assim tão miraculoso, há quantidade de tremoços que já comi em toda a minha vida, nem sequer teria desenvolvido uma doença inflamatória do intestino...

 

Fonte: Vai nascer na Madeira uma fábrica de bolachas anti-inflamatórias feitas a partir do tremoço

Bolachas anti-inflamatórias feitas a partir do tremoço podem chegar ao mercado português dentro de um ano

 

 

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It's been a few months, but I'm like those annoying ladies who keep everything since several people sent me a story about anti-inflammatory lupine crackers that can prevent and cure inflammatory bowel diseases rectal colon cancer. A person even immediately asks where they can buy the cookies and begins to consider baling kilos of lupine, right?

If you have already read the posts I wrote about trials and clinical studies, you will better understand what I will write next. If you haven't read it yet, I advise you to read this and this post.

Well, then, a group of Portuguese researchers, in the scope of their investigation, discovered that a substance present in lupins - deflamine - could have potential in the treatment of digestive diseases, including digestive cancers. So far, their clinical experiments have been limited to ... rats and zebrafish.

 They decided to open a factory that produces lupine cookies; they went to press to promote the product as an anti-inflammatory and promising a cure for chronic diseases.

 

 

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